Operação Freakout (Assustar, Apavorar)

Clique AQUI para abrir o índice dos posts mais importantes a respeito da organização criminosa autodenominada religião (O que é Cientologia, Dianética, Quem foi seu fundador L. Ron Hubbard, O Grande Segredo da Cientologia)

Operation Freakout

A Operação Freakout, também conhecida como Operação Freakout PC (apavorar Paulette Cooper), foi o nome dado pela Igreja da Cientologia ao seu plano para obter a prisão ou a internação em uma instituição mental (o chamado hospício) da escritora Paulette Cooper. O plano era eliminar a ameaça que Paulette representava à Igreja e vingar-se de sua publicação em 1971 do livro “O Escândalo da Cientologia“, que como o próprio nome já diz, era altamente crítica contra a organização de L. Ron Hubbard.

Paulette, uma jornalista freelance e escritora, começou suas pesquisas a respeito da Cientologia em 1968, e escreveu um artigo altamente crítico contra a Igreja para a revista britânica Queen (hoje chamada Harper’s Bazaar), em 1969. A Igreja imediatamente processou a Queen, pela matéria que prejudicava a Cientologia.

Apesar disso, Paulette expandiu seu artigo em um livro completo, “O Escândalo da Cientologia” (com o subtítulo “um exame arrepiante da natureza, crenças e práticas da “religião do momento”). O livro foi publicado pela Tower Publications, Inc., de Nova York, no verão de 1971. A Igreja respondeu com um processo contra Paulette em dezembro de 1971, demandando R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais na época) por “afirmações inverídicas, prejudiciais e difamatórias a respeito da Igreja”.

Paulette passou a ser vista como um dos alvos principais do Guardian’s Office (Escritório do Guardião), hoje conhecido como Office of Special Affairs (OSA – Escritório para Assuntos Especiais), que agia como uma combinação de agência de inteligência, escritório jurídico e relações públicas para a Igreja. Em 29 de fevereiro de 1972, O terceiro executivo mais antigo da Igreja, Jane Kember, enviou uma orientação para Terry Milner, oficial guardião para Inteligência Estados Unidos (DGIUS), determinando a ele que encontrasse informações sobre Paulette para que eles pudessem “LIDAR” com ela. Em resposta, Milner ordenou aos seus subordinados que “atacassem ela de todas as formas possíveis”, bem como uma divulgação em grande escala da vida sexual de Paulette.

Paulette contra-processou a Igreja em 30 de março de 1972, demandando 15.4 milhões de dólares em danos pelos constantes assédios. Entretanto a Igreja aumentou o assédio, como por exemplo pintando seu nome e número de telefone em muros das ruas para que ela ficasse recebendo ligações, e fizeram assinaturas em seu nome em malas diretas de revistas pornográficas (por esta razão, o grupo Anonymous também usou o nome de David Miscavige nas mesmas assinaturas pornográficas). Paulette também recebeu ameaças de morte e seus vizinhos receberam cartas que diziam que ela tinha uma doença venérea.

Em dezembro de 1972 (ainda não se trata da operação Freakout), uma mulher que pedia ajuda financeira para os Trabalhadores de Fazendas Unidos furtou vários papéis do apartamento de Paulette. Dias depois, a Igreja da Cientologia de Nova York recebeu duas ameaças anônimas de bombas. No mês de maio, Paulette foi indiciada por fazer ameaças de bombas e foi marcada audiência perante um Grande Júri Federal. As ameaças haviam sido escritas nos papéis furtados, que estavam marcados com suas impressões digitais.

cooper_bomb_threat.gif

As acusações foram retiradas em 1975, por determinação do escritório da advocacia dos Estados Unidos (equivalente a advocacia da união no Brasil), mas somente em 1977 que o FBI descobriu que as ameaças de bombas foram simuladas pelo Escritório do Guardião (Guardian’s Office). Um memorando recente trocado entre dois funcionários do Guardian’s Office tinha uma lista de tarefas cumpridas com sucesso: “conspirar para aprisionar a Sra. Adorável por um crime que ela não cometeu. Ela foi julgada pelo crime.”

A OPERAÇÃO

Em 1976, os chefes do Escritório do Guardião decidiram iniciar uma operação com o objetivo de “obter o encarceramento em uma instituição mental ou na prisão de Paulette Cooper, ou pelo menos atingi-la tão forte que ela pare de nos atacar.” O documento com o plano, datado de 1 de abril de 1976, declarou que o alvo deveria ser “removido de sua posição de poder para que ela não possa atacar a C o S (Church of Scientology).

Na sua forma inicial, a Operação Freakout consistia de 3 planos diferentes (chamados pelo Guardian’s Office de canais):

1. Primeiro, uma mulher deveria imitar a voz de Paulette Cooper e fazer ligações ameaçadoras para consulados árabes em Nova York.
2. Segundo, uma carta ameaçadora deve ser enviada para um consulado árabe de forma que pareça ter sido escrita por Paulette Cooper (que é judia).
3. Terceiro, uma voluntária Cientologista deveria imitar Paulette Cooper na lavanderia e ameaçar o Presidente e o Secretário de Estado Henry Kissinger. Um segundo cientologista se encarregaria de informar o FBI sobre as ameaças.

Segundo outro documentos apreendidos, dois planos extras foram adicionados na Operação Freakout em 13 de abril de 1976. O quarto plano convocada agentes cientologistas para obter informações sobre Paulette para assegurar o acesso aos três primeiros planos. O quinto plano era para um cientologista alertar um consulado árabe por telefone, informando que Paulette havia dito que iria explodí-lo. Um sexto e último plano foi uma reencenação do que havia sido feito em 1972, ou seja, o furto de papéis em branco contendo as digitais de Paulette, datilografar e enviar uma carta ameaçadora para o Secretário de Estado Americano nesses papéis. O membro da equipe do Guardian’s Office, Bruce Raymond, escreveu em uma nota interna: “este canal adicional (o sexto plano) deve afastá-la. Funcionou em conjunto com todos os outros canais. O FBI já pensa que ela fez as ameaças de bombas contra a C of S (Church of Scientology) em 1972.

fo0.gif
“O FBI já pensa que ela realmente fez as ameaças de bombas contra a CoS”

cooper_freakout.gif

Em 31 março de 1976, Jane Kember enviou um telex a Henning Heldt, o Oficial Guardião dos Estados Unidos, para atualizá-lo da situação:

“PC (Paulette Cooper) ainda resiste em pagar o dinheiro mas a decisão ainda permanece (naqueles dias) … Nós contatamos seu advogado e também conseguimos que PC tivesse acesso às informações que usaremos contra ela. Se você quer documentos legais, daqui para frente nós os obteremos. Então se ela ainda se recusar a vir nós usamos as informações antes dela chegar a Clearwater, já que nós não queremos ser vistos publicamente como sendo brutais contra uma vítima tão patética de um campo de concentração.”

DESFECHO

Ao final, a Operação Freakout nunca foi efetivada, pois ocorreu um imprevisto. Em 11 de junho de 1976, dois agentes cientologistas – Michael Meisner e Gerald Bennett Wolfe – foram pegos em flagrante tentando invadir um fórum em Washington, ao executarem uma ordem da Operação Snow White. O Guardian’s Office passou a se preocupar com abafar o escândalo, chegando ao ponto de raptar Meisner e mantê-lo escondido para evitar que ele se entregasse e testemunhasse no caso. A igreja, em razão desse novo escândalo, foi obrigada a fazer um acordo com Paulette em dezembro de 1976, com a condição de que ela nunca mais publicasse “O Escândalo da Cientologia” e concordasse em entregar os direitos autorais para a Igreja da Cientologia da California.

Em 8 de julho de 1977, entretanto, o FBI fez buscas em escritórios da Cientologia em Los Angeles e Washington, apreendendo aproximadamente 48 mil documentos. Eles revelavam a extensão dos crimes cometidos pela Igreja. Os documentos foram publicados e permitiram a Paulette e ao mundo tomar conhecimento das operações realizadas pela organização

Embora ninguém tenha sido trazido a julgamento pelo assédio a Paulette, as demais atividades criminosas da Operação Snow White foram processadas com sucesso pelo governo dos Estados Unidos. Mary Sue Hubbard, Jane Kember, henning Heldt, Morris Budlong, Duke Snider, Dick Weigand, Greg Willardson, Mitchell Hermann e Cindy Raymond foram indiciados pelos crimes de furto, invasão, conspiração e outros crimes. Todos cumpriram pena de até 4 anos na prisão.

Por ironia do destino, todos eles foram julgados, condenados e sentenciados no mesmo fórum que seus agentes tentaram invadir.

A Igreja da Cientologia ajuizou pelo menos 19 processos contra Paulette durante as décadas de 70 e 80, no que Paulette considera ser uma “típica campanha suka da Cientologia” e que seu advogado Michael Flynn disse comprovar a declaração de Hubbard que a proposta de processos judiciais é “assediar e desencorajar” (seus inimigos). Paulette retirou seus processos contra a Cientologia em 1985, após ter recebido U$ 400.000,00 (perto de R$ 800.000,00) em um acordo extrajudicial.

Hoje, Paulette Cooper continua escrevendo livros. Veja ela em seu website oficial.

Paulette Cooper também disponibilizou a versão integral de seu livro, GRATUITAMENTE, na internet. Clique AQUI para ler o livro (em inglês).

Clique AQUI para abrir o índice dos posts mais importantes a respeito da organização criminosa autodenominada religião (O que é Cientologia, Dianética, Quem foi seu fundador L. Ron Hubbard, O Grande Segredo da Cientologia)

One thought on “Operação Freakout (Assustar, Apavorar)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s