Operação Snow White (Branca de Neve)

Clique AQUI para abrir o índice dos posts mais importantes a respeito da organização criminosa autodenominada religião (O que é Cientologia, Dianética, Quem foi seu fundador L. Ron Hubbard, O Grande Segredo da Cientologia)

Operation Snow White

Em 20 de junho de 1977, Michael Meisner, um cientólogo e membro do Guardian’s Office, entrou em contato com o FBI (a Polícia Federal dos EUA). Ele disse ter escapado de um cativeiro, mantido por seus colegas cientologistas, e que tinha provas de atividades criminais praticadas pela Igreja da Cientologia.

Meisner também era procurado pelo FBI, por seu envolvimento em uma invasão ao escritório do Procurador de Justiça Assistente do Tribunal de Washington, mas ele decidiu que se entregar para os agentes federais era melhor do que permanecer com a Cientologia.

Em 8 de julho de 1977, com base nas informações prestadas por Meisner, o FBI cumpriu mandados de busca e apreensão em escritórios e estabelecimentos da Cientologia em Los Angeles e Washington. A acusação era a que, entre 1974 e 1976, executivos da cientologia conspiraram para furtar documentos pertencentes ao Governo Federal e conspiraram para obstruir a Justiça ao acobertarem esses crimes durante a investigação da invasão da qual Meisner havia participado.

Agentes do FBI em frente a sede da Cientologia em Los Angeles

Agentes do FBI em frente a sede da Cientologia em Los Angeles (1977)

Meisner, após ser aprisionado pelos seus próprios colegas, havia decidido falar a verdade. Clique AQUI para ver os arquivos do FBI em inglês.

Cerca de 90 mil páginas de documentos e diversas ferramentas utilizadas para invadir propriedades foram apreendidas na ação do FBI. Cientologistas vestidos em roupas eclesiásticas circularam em meio aos agentes federais, para serem fotografados e posteriormente alegar perseguição religiosa.

Os documentos apreendidos revelaram um incrível número de operações clandestinas levadas à cabo pelo Scientology’s Guardian’s Office (Escritório do Guardião da Cientologia). Tais operações incluíam assediar o Departamento de Justiça, roubar documentos do IRS (A Receita Federal dos EUA), incriminar falsamente a escritora Paulette Cooper (na Operação Freakout), autora do livro “O Escândalo da Cientologia“, por ameaças de atentados a bomba e o plano para destruir a reputação do prefeito de Clearwater, Gabe Cazares, imputando-lhe falsamente um crime de atropelamento com fuga.

Um programa batizado pela Cientologia de Operação Snow White, que ficou conhecido na mídia americana como o “Caso Snow White”, era a operação que controlava as demais operações, todas clandestinas e com o único objetivo de remover quaisquer registros considerados “prejudiciais” à organização ou a seu fundador, L. Ron Hubbard.

Este projeto incluiu uma série de infiltrações e furtos em cerca de 136 órgãos governamentais, embaixadas e consulados, escritórios de advocacia, redações de jornais e outras organizações privadas contra a Cientologia.

Documentos da Cientologia, chamados de “Alvos Operacionais Branca de Neve”, listam algumas pessoas e agências alvo da operação. Outros planos da operação incluiam petições ao governo e as Nações Unidas para processar por Genocídio governantes que criticam a Cientologia, com a alegação de que críticas de órgãos públicos contra a Cientologia é o mesmo que “deliberadamente impor ao grupo condições de vida calculadas para forçar sua destruição física.” (Fonte: “Projeto Madrasta“).

Foi a maior infiltração no Governo dos Estados Unidos de toda a história, envolvendo centenas de pessoas, entre cientologistas, funcionários públicos corruptos, chantageados e investigadores particulares.

Onze cientólogos, incluindo Mary Sue, esposa de L. Ron Hubbard, foram presos, condenados e cumpriram penas em prisões federais por suas participações nas ações criminosas. L. Ron Hubbard estava escondido, mas mesmo assim foi arrolado como co-conspirador não indiciado.

Clique AQUI para ver os autos do processo em inglês.

Vejamos alguns trechos do memorando da Justiça americana utilizado para estabelecer a pena de prisão de 4 anos aos condenados:

O Governo dos Estados Unidos iniciou uma investigação na qual resultou em indiciamentos, em razão de audazes, sistemáticas e repetitivas invasões de escritórios do Governo dos Estados Unidos em Washington e Los Angeles, por um período superior a dois anos. Adicionalmente, os Estados Unidos confrontou-se com a insistente conduta dos réus em enganar a investigação do Grande Júri Federal, esconder um fugitivo da Justiça, sequestrar uma testemunha disposta a se entregar para as autoridades federais, apresentar falsas evidências, destruir outras evidências que poderiam ser de valiosa ajuda nas investigações, preparar mentiras para encobrir fatos, e encorajar e coagir uma testemunha crucial para dar um falso testemunho sob juramento no Grande Juri. Tais condutas ofensivas foram sentidas no coração do nosso sistema judicial — um sistema que é frequentemente, nas horas cruciais de nossa história, o salvador de nossas instituições. Nós consideramos que, em razão da grandeza e natureza dessas ofensas, atitudes abomináveis, seríamos negligentes em nosso trabalho de impor as leis se tivessemos falhado em apresentar as acusações. No mais, a revisão dos documentos apreendidos nas duas buscas em Los Angeles, California, mostram a incrível e grande natureza da conduta criminal dos réus e a organização que eles lideram.

Seus crimes incluem infiltração e furto de documentos de relevantes organizações nacionais e mundiais, escritórios de advocacia e jornais, execução de difamações e processos judiciais sem fundamento para destruir indivíduos que tentaram exercer seus direitos de liberdade de expressão protegido pela Primeira Emenda da Constituição, falsa incriminação de indivíduos que criticam a Cientologia, incluindo falsificação de documentos que levaram ao indiciamento de pelo menos uma pessoa inocente, violação de direitos civis de pessoas de destaque e funcionários públicos.

Outro trecho, no original em inglês, onde o tribunal ironiza a frase do próprio Hubbard, que disse que a verdade é o que é verdade para ti, mas no caso dele não se aplicava isso:

The crimes committed by these defendants is of a breadth and scope previously unheard of. No building, office, desk, or file was safe from their snooping and prying. No individual or organization was free from their despicable conspiratorial minds.
The tools of their trade were miniature transmitters, lock picks, secret codes, forged credentials, and any other device they found necessary to carry out their conspiratorial schemes.
It is interesting to note that the founder of their organization, unindicted co-conspirator L. Ron Hubbard, wrote in his dictionary entitled Modern Management Technology Defined … that ‘truth is what is true for you.’ Thus, with the founder’s blessings they could wantonly commit perjury as long as it was in the interest of Scientology.
The defendants rewarded criminal activities that ended in success and sternly rebuked those that failed. The standards of human conduct embodied in such practices represent no less than the absolute perversion of any known ethical value system.
In view of this, it defies the imagination that these defendants have the unmitigated audacity to seek to defend their actions in the name of ‘religion.’
That these defendants now attempt to hide behind the sacred principles of freedom of religion, freedom of speech and the right to privacy — which principles they repeatedly demonstrated a willingness to violate with impunity — adds insult to the injuries which they have inflicted on every element of society.”

[Sentencing Memorandum of United States v. Mary Sue Hubbard et al, criminal case # 78-401 in October, 1978 — US District Court, Washington DC.]

… it brings into focus more than anything else the refusal by the defendants to live by the law — their apparently intractable conviction that they are somehow above the law.
This is illustrated by Mrs. Hubbard’s statement on the witness stand that she and her codefendants, including these two defendants, felt they could do to others whatever they perceived, however erroneously, others were doing to them.”

[Sentencing Memorandum in ; US v. Kember and Budlong Criminal No. 78-401(2)&(3)]

O MENTOR INTELECTUAL

A Operação Snow White foi escrita e iniciada por L. Ron Hubbard, que na época morava em alto-mar, em seu navio chamado Apollo.

O navio Apollo, lar de Hubbard em alto-mar por muitos anos

O navio Apollo, lar de Hubbard em alto-mar

Em 18 de abril de 1973, L. Ron Hubbard escreveu no Guardian’s Order 732 WW (Ordem do Guardião) que alguns países estavam impedindo atividades da cientologia com base, de acordo com Hubbard, em relatórios falsos a respeito dele e da organização. Ainda segundo Hubbard, por causa desses relatórios vários países estavam proibindo seu navio Apollo de atracar em seus portos.

Mary Sue Hubbard, Cindy Raymond, Gerald Bennett Wolfe, Henning Heldt, Duke Snider, Gregory Willardson, Richard Weigand, Mitchell Herman, Sharon Thomas, Jane Kember, e Mo Budlong, todos executivos do alto escalão da Cientologia (alguns indicados pelo próprio Hubbard), foram condenados e mandados para a prisão no Caso Snow White.

Na época, Kendrick Moxon, atualmente um dos principais advogados da organização, havia sido arrolado como co-conspirador não indiciado por fornecer falsa amostra de caligrafia ao FBI.

Mary Sue Hubbard, diretora do Guardian’s Office na época, foi expulsa e abandonada por Hubbard após cumprir suas ordens e a pena na prisão. Ela ainda é listada como Patrona da Cientologia (um membro que doou grandes quantias à organização), mas seu nome foi removido da lista da Associação Internacional de Cientologistas (IAS) e do manual de operações do E-Meter (que ajudou a escrever). Seu livro de aconselhamento em casamentos não é mais publicado nem listado como publicado pela Editora Bridge (no Brasil Editora Ponte do Brasil) e seu nome não é mais mencionado no website oficial da Cientologia.

Mary Sue, L. Ron Hubbard e seus filhos

Mary Sue, L. Ron Hubbard e os filhos

Mary Sue morreu em 2002, e isso não foi mencionado em nenhuma das publicações da Cientologia. Saiba mais sobre sua história clicando AQUI.

Henning Heldt, Oficial Guardião, ainda é listado em publicações da Cientologia como um grande contribuidor, e ainda participa de cursos.

Duke Snider é listado em cursos da cientologia na década de 90.

Dick Weigand, Oficial Guardião de Informações, continuou trabalhando para a cientologia em Columbia durante a década de 90.

A Operação Snow White nunca foi oficialmente encerrada pela Cientologia, que alega que na verdade tratava-se do Programa Snow White, cujo objetivo era corrigir falsos relatórios emitidos contra a organização e L. Ron Hubbard.

Eles ainda dizem que o Guardian’s Office era uma organização autônoma, que agiu além das determinações de Hubbard, e que foi fechada em 1983.

Na verdade, ela foi substituída pela OSA (escritório para assuntos especiais) da Cientologia. As políticas de Hubbard para atacar e destruir seus inimigos continuam sendo seguidas à risca.

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