Jornal Times (UK) – Scientology: os Protestantes Anônimos

A fim de descobrir o que é Cientologia (Scientology), sua armadilha Dianética (Dianetics), quem foi realmente seu fundador e outros segredos que eles tentam esconder, recomendo a leitura dos posts indicados no índice do blog.

A versão online do Jornal Britânico The Times (ganhador do prêmio de Site de Notícias do Ano) traz uma interessante matéria a respeito do grupo anonymous e faz alguns comentários a respeito dos protestos do mês de junho.

Link para matéria original em inglês aqui.
20 de junho de 2008
Por Tom Whipple

Scientology: os Protestantes Anônimos

A Igreja da Scientology, notadamente cruel ao esmagar seus críticos, pode ter encontrado um oponente à sua altura. O The Times junta-se à um protesto dos ‘Anonymous’ – a vanguarda de um novo radicalismo movido pela internet.

Haviam sinais, se você soubesse onde procurar, de que o lançamento da Operação Sea Arrrgh era iminente. Em centenas de esquinas da internet golpes eram planejados; as vendas de máscaras de Guy Fawkes cresciam e em milhares de quartos jovens homens e mulheres estavam fazendo planos para se encontrarem em lugares ao redor do mundo, vestidos como piratas.

O seu alvo era a Igreja da Scientology – e tudo aquilo era uma nova forma de protesto. Era também muito diferente do que costumava ser. Por mais de uma década, um pequeno grupo uniu-se do outro lado da rua dos escritórios da Igreja em Londres para protestos solitários. Alguns eram ex-scientologists, alguns apenas enraivecidos contra uma organização que separou suas famílias, extorquiu seu dinheiro e empregou seguidores com trabalho escravo. Tendo que panfletar transeuntes, se explicar para a polícia e defender-se do assédio de scientologists, com sorte, juntavam uma dúzia de protestantes.

Então, no começo deste ano, algo estranho aconteceu. Simultaneamente e sem qualquer aviso, em Londres, Toronto, Sydney, Nova York e outras cidades ao redor do mundo, jovens começaram a protestar em massa. Eles vestiam roupas estranhas, falavam seu próprio dialeto, distribuiam bolo e operavam sob o nome de Anonymous. Eles voltaram no mês seguinte, e no outro também.

Quem são essas pesssoas? Para a polícia, observando o protesto de sábado passado, eles são apenas um grupo não convencional de jovens de classe média. “Eles são os mais amáveis protestantes que eu já tive o privilégio de policiar,” disse um policial. “Eles até trouxeram lanches.” Atrás das barricadas, havia uma grande mesa de salgadinhos e refrigerantes. Protestantes ofereciam biscoitos para os pedestres. Uma das faixas dizia: “Nós temos bolos, eles têm mentiras.” A descrição da polícia é, em geral, correta – a maioria dos membros do Anonymous são adolescentes da classe média. Eles se vêem como guardiões da liberdade de expressão lutando contra uma organização que baseia sua ideologia em histórias sobre aliens. Eles cobrem seus rostos porque temem represálias. Mas também porque o anonimato é, bem, exatamente o que eles fazem.

Por que um bando de jovens, conectadas apenas pela internet, decidiram atacar uma religião norte-americana iniciada nos anos 50 por um escritor de ficção científica? Por que não a guerra do Iraque, armas nucleares ou mudanças climáticas? Uma resposta é que eles acreditam que podem alcançar algo contra a Scientology. Um dos objetivos mais realistas do Anonymous é revogar o status de isenção tributária do grupo. Mas o objetivo é teórico. Você também irá se perguntar por quê a música mais popular entre eles é a “Never Gonna Give you Up”, um hit de 1987 do cantor Rick Astley, ou por quê eles riem de imagens de gatos. E por que a maioria das máscaras usadas são da de Guy Fawkes do filme V de Vingança? Os memes da Internet nem sempre são lógicos.

Tudo começou como uma piada. O nome padrão para novos membros de fórums de discussões é “anônimo”, e alguém sugeriu que talvez o “anônimo” fosse uma pessoa de verdade. As pessoas começaram a se comportar como tal, e a idéia espalhou-se como um vírus (viral). “Nós somos a consciência coletiva, a raiva que vazou da tela do computador,” explica um jovem cabeludo de vinte e poucos anos, com um tapa-olhos, no protesto da semana passada. “A seita falhou em entender como as coisas surgem de uma massa consciente, e agora eles chutaram o vespeiro. O que você está vendo aqui é o surgimento de uma nova democracia.” A internet é o elemento que ditou a natureza do Anonymous, permitindo associações informais e uma estrutura organizacional sem lideres, totalmente diferente dos movimentos de protestos de antigamente. “A presunção mais comum nos dias de hoje é que os jovens são apolíticos, desengajados, hedonistas e só se interessam por festas,” diz Bart Cammaerts, da London School of Economics (Escola de Economia de Londres). “Isto é errado. A internet não é uma garantia de sucesso, mas ela permite as pessoas se informarem, recrutarem, mobilizarem e organizarem.”

As atividades iniciais dos Anonymous foram bobas – pregando peças ou atacando fórums. Algumas beiravam a ilegalidade. Eles derrubaram sites com bombardeios de data (“DDOS”). “Francamente, não foi muito nobre. Mas foi divertido,” explica um dos anonymouse, que diz chamar-se Halfdark (meionegro). Eles têm uma palavra para denominar tais atividades – lulz. No começo deste ano, um vídeo de Tom Cruise discutindo sobre Scientology foi postado na internet. Acidentamente engraçado, em sua sinceridade, ele espalhou-se pela Internet. A Scientology convocou seus advogados, e começou a forçar os sites que hospedavam o vídeo a removê-lo. Anonymous ganharam um alvo.

“Eles começaram a atacar a internet,” diz Marc Abian, cujo nome veio da crença da Scientology na existência de uma raça maligna de alienígenas chamada Marcabians. “Inicialmente nós os assediamos pela diversão, mas então nós nos demos conta de que eles arruínam vidas e famílias. O que fazemos é divertido, mas com uma causa real.”

No sábado passado o alvo foi o grupo de elite da Scientology, chamado de Sea Org – um grupo pseudo-paramilitar que possuía um navio. Daí surgiram as fantasias de piratas e o nome da operação adotada pelos anonymous – Operação Sea Arrrgh (como em Ecaaaa). “Perguntam-nos por quê as pessoas não podem acreditar no que querem”, diz uma jovem mulher, segurando uma espada de plástico. “A resposta é que nós não estamos alvejando suas crenças, mas a Igreja. Por que ela tira dinheiro das pessoas? Por que ela separa pessoas de suas famílias? É uma seita perigosa.” Enquanto ela falava, um canto começou a ser entoado. Apontando alternativamente para o quartel general da Scientology em Blackfriars, Londres, e para a Igreja de Saint Andrew by the Wardrobe, próxima ao local, a multidão cantava: “Essa é uma seita, aquela é uma igreja. Essa é uma seita, aquela é uma igreja.” Alguns turistas deram risadas, os policiais andavam de um lado para outro.

No começo, o Anonymous manteve suas táticas iniciais – mas elas eram antiprodutivas porque a Scientology poderia dizer que estava sendo vítima de uma campanha de provocação (bullying). Então Mark Bunker, um prominente crítico da igreja não associado com o anonymous postou uma mensagem no YouTube pedindo a eles trabalharem dentro da lei. Bunker alegou que as ações do anonymous estavam prejudicando o trabalho de protestantes como ele e o xenu.net. O anonymous escutou seu apelo. Agora eles reveram Mark Bunker como um Sábio Homem Barba (“suas palavras são sábias, seu rosto é barbado). Quando eu perguntei à polícia no sábado se eles estavam esperando por confusões, um deu risada. “Eles não são problema,” ele disse. “Eu só queria que eles parassem com aquela maldita música do Rick Astley.” Pouco antes do almoço, o protesto moveu-se para um pequeno centro da Scientology na Tottenham Court Road. Então os piratas começaram a dançar sob a música do seriado Fresh Prince of Bel Air.

Dificilmente, é verdade, houve uma multidão mais educada. Nós panfletamos, explicamos o que acontecia aos turistas e todo mundo parecia divertir-se – mesmo quando um trem foi abordado sob o grito de guerra pirata “nós iremos comandar este navio!” O “Centro de Dianética e Scientology” na Tottenham Court Road, provavelmente sente-se menos caridosa. Uma scientologist lá dentro me passou um panfleto sobre a obra prima do fundador L. Ron Hubbard, “Dianética: a Ciência Moderna da Saúde Mental”. “Para ser honesto, eles provavelmente nos trouxeram mais publicidade,” disse ela. “Aqui, ao invés da igreja, havia um KFC (Kentucky Fried Chicken – rede de frangos fritos)”, e o canto transformou-se em “Frango. Seita. Frango. Seita”.

Ao dobrar a esquina, Epic Nose Guy me concedeu uma entrevista. Ele usa uma máscara Veneziana de nariz longo, e é a coisa mais próxima de uma celebridade do Anonymous. Dois meses atrás, ele quase foi levado à corte por levar consigo uma placa chamando a Scientology de seita. O seu caso foi defendido pela Liberty, um grupo de direitos humanos, e até mesmo mencionado neste jornal.

Eu acredito na liberdade de expressão, então fiz uma placa enorme dizendo “Scientology não é uma religião, é uma seita perigosa.” Ele sorri. “Em dez minutos, a polícia pediu-me para abaixar a placa, mas eu os ignorei. Se você perder o seu direito de dizer o que quer em uma placa, você estará perdendo seu direito de protestar. “Então ele foi intimado a comparecer a corte. O caso foi arquivado. Se ele ficou com medo? “Absolutamente, foi assustador, eu estava na época pré-vestibular.”

Veja reportagens e vídeos sobre a seita da Scientology e sua armadilha Dianética (Dianetics) clicando aqui.

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