Tommy Gorman

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Scientology’s Antagonists

An ex-Scientologist and an army of online pranksters attempt to bring down the controversial religion.

By Lauren Smiley
Published on August 12, 2008 at 12:31pm

Esta matéria foi traduzida da forma mais fiel o possível. Algumas alterações foram necessárias para melhor compreensão em português.

Tommy Gorman

Tommy Gorman

Talvez seja sua camiseta preta com as palavras “Scientology Mata” escrita em vermelho sangue. Ou talvez seu corte de cabelo estilo militar, ou seu nariz deformado em 45 graus após levar muitos socos. Talvez seja o fone de ouvido ou a câmera presa a sua mão para filmar confrontos. Não importa a razão, quando Tommy Gorman manda alguém sair de casa para conversar com ele, as pessoas duvidam que seja para um bate-papo civilizado.

Gorman colocou o presidente da Church of Scientology de São Francisco – EUA, Jeff Quiros, em sua lista negra cerca de sete anos atrás. O sentimento é mútuo. “Eu não desejo o melhor para Tommy Gorman,”, diz Quiros. “Ele é um mentiroso criminoso, e eu espero que ele acabe na cadeia pelas coisas que fez.” Quiros não aceitou o convite de Gorman para um bate-papo naquela tarde de julho (2008), e Gorman classificou-o de covarde.

Gorman costumava dirigir seu antagonismo a pessoas iguais a ele. Ele foi criado dentro da Scientology – sua família chamava Quiros de “Tio Jeff” – e nunca questionou se os inimigos da religião mereciam ser assediados. Na época que defendia a Scientology, antes mesmo de saber como fazer contas ele já invadia convenções e desafiava psiquiatras, e antes de ter idade suficiente para beber já fazia piquetes em frente das casas de “críticos” da Scientology segurando placas dizendo “Intolerante Religioso”.

Mas a lealdade de Gorman para com a Scientology tornou-se em ódio em 2001, após sua amiga Jennifer Stewart, então apenas uma adolescente, e agora sua esposa, ter sido supostamente estuprada por um membro adulto da filial Mountain View da igreja. Ambos acusam executivos da Scientology, inclusive Quiros, de tentar persuadi-los a não prestar queixa na polícia. Funcionários da Scientology negam as acusações. Em um processo civel posterior, a igreja ponderou sobre a péssima imagem que tais alegações poderiam passar para a imprensa e fez um acordo extra-judicial que passou quase despercebido na imprensa em 2005.

Mas como era de se esperar, Tommy Gorman não se silenciou, especialmente agora que ele está convencido que a organização, conhecida por perseguir ardualmente seus críticos, intimidou sua família com ameaças, vigilância e até mesmo sabora seu carro. Atualmente ele faz piquetes em frente a sede da Scientology no antigo prédio Transamerica, ao fim da Avenida Columbus, onde as palavras do escritor de ficção científica e fundador da Scientology são tidas como verdades inquestionáveis. Gorman utiliza as táticas bulldog de protesto contra a própria organização, a qual ele chama agora de seita. Ele até mesmo já mandou escrever “SP” na parte de tras de seu cabelo, tirando sarro do rótulo de “pessoa supressora” (Supressive Person em inglês) que recebem os críticos mais odiados pela Scientology. Apesar de nunca ter sido rotulado como SP, Quiros diz considerar Gorman um deles. Gorman diz ser uma honra.

Antes de janeiro (2008), ninguém sonhava que Gorman receberia um apoio tão improvável: de um exército de internautas aborrecidos com um vídeo censurado de Tom Cruise. As tropas se autodenominam Anonymous (Anônimos), Quiros os chama de “Klan elétrico”, e eles saíram do cyber-espaço mascarados para derrubar a Scientology. Com um número estimado de 10 mil membros ao redor do mundo, os Anons forma o maior movimento de todos os tempos a opor-se à Scientology. O tamanho do movimento incentivou ex-scientologists, antes medrosos demais para protestar contra sua ex-igreja, e outros como Gorman, que faziam piquetes mas nunca tiveram o apoio de uma grande massa.

Até agora. “Eu não vou desistir,” diz Gorman. “Eu já avisei (a Scientology) que se eles quiserem se livrar de mim terão que me matar, e eles já tentaram isso.”

No YouTube, uma amostra de um vídeo filmado e produzido por Gorman mostra um homem fumando um cigarro enquanto anda pela calçada alinhada com Anonymous, dirigindo-se para um protesto em frente a igreja. Gorman diz que o homem é Kevin Creech, que desertou da organização quatro anos atrás. Creech foi declarado SP e “desconectado” por seus dois irmãos scientologists. (A política da organização requer seus membros que cortem quaisquer relações com SPs, sejam eles familiares ou não).

Isso serve de munição para Gorman ao deparar-se com Mike Creech, um dos irmãos que se desconectaram de Kevin: “Eeeei! Como você se sente sabendo que seu irmão, Dan Creech, não fala com seu outro irmão, Kevin?” ele provoca. “Como você pode saber como vai o Kevin, já que você não fala com ele? … Não seja um covarde!”

O homem provocado por Gorman permanece silencioso segurando a porta para outro scientologist que se aproxima, o que dá mais tempo para Gorman continuar provocando-o. Ao ver este vídeo mais tarde, Kevin Creech diz que é possível ver no rosto de seu irmão que ele está impaciente, como que dizendo ao outro scientologist “dá para você se apressar?”;

No vídeo, Gorman continua implacável: “Você está sendo covarde de novo? Por que você não fala sobre a desconecção? … Eles mentiram (para o Kevin), a Scientology mentiu! Sobre o que mais a Scientology está mentindo?”

Jennifer, esposa de Gorman, reforça o coro: “É tão triste você se desconectar da família.”

Mike Creech coloca uma goma de mascar na boca e adentra ao prédio enquanto Gorman continua provocando-o: “Vamos lá, vamos conversar! Kevin têm se comunicado muito bem comigo!”

A agressividade de Gorman é questionada até mesmo entre os Anonymous, que já se perguntaram se ele, conhecido como crítico “das antigas”, é uma coisa boa ou ruim para a causa. Em junho (2008), um Anon criou um tópico no site anti-Scientology http://www.enturbulation.org, dizendo que ele estava “enojado” com os métodos de Gorman: “as pessoas que precisam abandonar sua agressividade deveriam ir para a academia e descontar nos sacos de pancada, não nos Scinos (apelido dado aos Scientologists)… TAL CONDUTA AGE CONTRA NÓS, E A FAVOR DA IGREJA.”

Outros apoiam Gorman: “O Tommy foi fodido demais pela seita, e eu acho que sua raiva é justificável,” responde outro Anon. Em outros fórums, outros demonstram respeito: Tommy “comeria dois punhados de vidro triturado se ele achasse que isso pudesse mostrar como os scilons (outro apelido dado a scientologists) fedem”.

Não há dúvidas de que Gorman e os Anonymous utilizam métodos completamente diferentes para o mesmo objetivo. Os protestos dos Anons são festas regadas com muito humor retirado da Internet. Enquanto as caixas de som tocam músicas, os participantes fantasiados com cabeças de Pac-Man e Panda dançam, comem bolo e chamam uns aos outros de variações de “faggot” (pejorativo de homossexual). Com gritos de “você é legal demais para estar em uma seita!”, os Anons têm como objetivo fazer com que os scientologists questionem suas crenças, ou pelo menos pesquisar a respeito da sua igreja e descobrir o mau uso que ela faz do sistema judiciário, os escândalos tais como “Operação Branca de Neve“, na qual agentes da organização infiltraram-se e roubaram documentos de órgãos governamentais que a estavam investigando.

Gorman por sua vez acha que um confronto aberto e pessoal é necessário para chegar aos scientologists. “Para acordá-los, você não pode ser bom e doce, porque eles vão apenas pensar que você está agindo como um SP,” ele diz. “Eles vão fazer um bloqueio. Eu atinjo eles de uma forma tão forte que eles são obrigados a pensar no que eu estou falando.”

Gorman tem muita prática. Muitas famílias o contratam para persuadir scientologists a deixarem a organização; certa vez ele participou de uma intervenção que durou três dias em um Hotel do estado de Ohio. Ele é capaz de debater por horas com scientologists que estão em dúvida, e alguns ele já conhecia pessoalmente quando ainda estava na organização.

“Ele conhece o pensamento, as políticas, como um scientologist é condicionado a pensar e agir, e ele sabe o que ajudou-o a se desiludir,” diz Steven Hassan, um consultor de Massachusetts que ajuda pessoas a abandonarem seitas e recrutou Gorman para ajudá-lo nos casos de scientologists.

Apesar de suas divergências internas, Gorman e os Anonymous aparentam ser uma frente unida para Quiros quando ele olha para a rua. Ele não gosta quando o casal que a igreja pagou “para minimizar os efeitos daquele desafortunado incidente” retornam com colegas que confirmam sua versão do incidente.

“O caso de Jennifer (Gorman) estava superado,” diz Quiros. “Isso faz Tommy se sentir importante, e se você conta uma grande mentira, faz parte da natureza humana tentar convencer todo mundo de que é verdade. Quanto mais pessoas ele convencer, mais se torna verdade para ele.”

Enquanto a igreja da Scientology de San Francisco permanece como uma fortaleza impenetrável, com as cortinas do primeiro andar fechadas, os Anonymous permanecem do lado de fora gritando “Saia enquanto puder” para aqueles que entram e saem do prédio.

Mas nos dias normais, a porta de entrada da igreja permanece aberta. Em seu interior, cópias da Dianética, texto clássico de Hubbard, são enfileiradas como um display de livraria. Um tour pelo museu inclui exibições entituladas “L. Ron Hubbard – O Legado.” Em mesas dispostas nas salas, mulheres vestindo roupas estilo militar – Marinha – conversam com os recém chegados: “as aulas iniciais que eu recomendo a vocês – não são muito caras. As aulas permitem a vocês ter uma idéia da Scientology,” diz uma delas, que então faz uma metáfora: “você irá experimentar como é o pôr-do-sol.”

Chamado pela recepcionista, Jeff Quiros caminha sobre o carpet em um terno cinza e de cabelos recentemente penteados, para iniciar um tour cujo objetivo é desmistificar a igreja: “Sinto informar que não há discos voadores ou canibalismo de bebês ou coisas parecidas.” Mesmo assim, há outras coisas interessantes. Como a existência de um escritório de Hubbard em todas as orgs (forma pela qual os scientologists referem-se a suas igrejas), enfeitada semanalmente com flores frescas. Atrás de uma porta no porão, onde lê-se em uma placa “Silêncio! Audição em andamento,” existem várias salinhas, prontas para que membros da equipe da igreja questionem os fiéis, com o uso do E-Meter (espécie de detector de mentiras que os scientologists também acreditam poder identificar problemas que atormentam o inconsciente).

Quiros desce uma rampa para uma parte mais baixa ainda do porão, onde um homem se exercita em um dos seis esteiras que estão viradas para uma parede pintada como se fosse paisagem natural. Como todo e qualquer scientologist que chega a um determinado nível dos cursos, o homem irá sentar-se em uma sauna e livrar-se das toxinas que Hubbard acreditava serem a causa de uma mente “atrasada”, explica Quiros. “Assim como qualquer pessoa na Scientology, você repete este procedimento até o fim. (O processo) pode levar duas semanas ou um mês.”

Educado como católico, Quiros leu Dianética quando estudava no UC Davis, e diz que os ensinamentos de Hubbard explicaram algumas de suas experiências quando criança. Após alguns anos como professor de escola elementar, Quiros ingressou na equipe na missão de Davis e a 25 anos atrás tornou-se o diretor da org de San Francisco.

Foi lá que Quiros impressionou Gorman pela primeira vez. “Se eu tivesse que escolher um tio ou até mesmo um pai, eu escolheria ele,” diz Gorman. “Eu queria ser igual a ele.”

O pai de Gorman ingressou na organização ainda adolescente e, ainda jovem, trabalhou como cozinheiro da Sea Org, a brigada naval cujos membros assinam um contrato para servir a igreja por um milhão de anos. A mãe de Gorman entrou na igreja com o objetivo de tirar sua irmã de lá, e permaneceu céptica enquanto sua família gastava dinheiro em caras sessões de E-Meter ou cruzeiros de duas semanas no navio da Scientology, o Freewinds.

Ainda assim, Gorman sonhava em subir nos rankings da organização. Ele estudou em escolas que ensinam Scientology, iniciando na pré-escola onde a ex-mulher de Quiros foi professora. Gorman abandonou os estudos aos 16 anos para tornar-se voluntário na org de San Francisco. Quando chegou aos 18 anos, ele diz, Quiros começou a enviá-lo para fazer protesto na frente da casa de críticos, em nome da OSA (Escritório de Assuntos Especiais – Office of Special Affair em inglês), do qual Quiros era o diretor. Quiros diz que na verdade aquilo era parte das atividades de um grupo dentro da Scientology chamado Liga de Paroquianos da Scientology (Scientology Parishioners League), e que Quiros apenas monitorava suas atividades, mas não mandava seus membros fazerem protestos.

Como voluntário, Gorman almejou críticos da organização, incluindo a moradora de San Francisto Kristi Wachter, que dirigia o website chamado http://www.truthaboutscientology.com (a verdade sobre a scientology).” Eu me sentia como se fosse da elite da organização, porque a maioria dos scientologists têm medo de ficar perto de SPs,” diz Gorman. Ele segurava placas com os dizeres “Intolerante Religioso” em frente da casa de Wachter, distribuia panfletos para seus vizinhos e tentava deixá-la embaraçada quando ela saía de casa. Ainda assim, Wachter diz que ele não era tão ruim quanto outros: “eles queriam descobrir até onde poderiam ir e continuar se safando”, diz Wachter. “Eles buscavam aprovação”.

Em agosto de 2000, Gorman ingressou na equipe da org de Mountain View, onde reencontrou Jennifer Stewart, uma antiga colega de classe. Jennifer havia parado de estudar aos 14 anos para trabalhar como recepcionista da org.

Mais tarde, Jennifer alegou que, quando tinha 16 anos, um membro da equipe disse à ela que a igreja havia “ordenado” a ela que passasse as noites no apartamento de um quarto, próximo a cidade de San Jose, de propriedade do supervisor Gabriel Williams, de 27 anos de idade, onde ele morava com sua noiva. Tempos depois, Michael Stewart, pai de Jennifer, disse à polícia que ficou desconfortável com o remanejamento, mas por achar que era uma ordem da igreja ele acabou cedendo. Em documentos judiciais, membros da igreja descrevem Michael como sendo um homem sociável que gostava de contar piadas sujas sobre meninas menores de idade.

“Isso lembra os pais que entregaram seus filhos para o Kool-Aid em Jonestown (o famoso caso da seita liderada por Jim Jones que levou ao suicídio e homicídio de centenas de seguidores, muitas delas crianças, na Guiana),” compara Ford Greene, o advogado de San Anselmo que defendeu muitos casos de destaque contra a Scientology, e que havia sido contratado por Jennifer para processar a organização. “O nível de controle é absoluto.”

A igreja nega que tenha havido uma ordem para ela ficar com Williams, dizendo que foi uma decisão da própria Jennifer, na época supervisora de curso, que queria diminuir o tempo de deslocamento de San Lorenzo, onde morava, até a org.

Enquanto estava na org, Gorman percebeu que Jennifer estava ganhando peso, chorava com freqüência, e estava sempre correndo para fora ou para vomitar no banheiro. Ela diz que outro membro da equipe mandou ela fazer um teste de gravidez e que ela havia sido questionada sobre sua vida sexual em sessões com o E-Meter.

Após nove meses de permanência no apartamento de William, Stewart finalmente contou a Gorman o que havia ocorrido. De acordo com documentos judiciais, ela acusa William de tê-la estuprado por mais de 100 vezes, ameaçando-a de morte caso contasse a qualquer pessoa. Jennifer diz que ela estava aterrorizada com a idéia de ser declarada SP caso ela o denunciasse, e sua família teria que se desconectar dela.

Gorman diz que no dia seguinte ligou para Quiros, mas ele pediu para que não chamassem a polícia. Quiros diz que não falou nada sobre não ir a polícia, e que na verdade pediu para Gorman informar o diretor de assuntos especiais de Mountain View, Mark Warlick, que disse ao pai de Jennifer que iria investigar. (Warlick não quis fazer comentários para esta matéria). A org diz que Williams foi despedido no dia seguinte. Gorman e a família de Jennifer abandonaram a Scientology.

“Em um certo grau, é triste porque eu me importava com os Gormans e eles se importavam comigo,” diz Quiros.

Aterrorizada com a idéia de que Williams ou a igreja viria atrás dela, ou que ela pudesse ser entregue ao Juizado da Infância (child protective services) e psiquiatras, a quem Hubbard acusava de praticarem tratamento de choque elétrico e lobotomia, Jennifer escondeu-se na casa da família de Gorman até completar 18 anos. O pai dela disse a um policial que membros da igreja haviam contactado sua família diversas vezes naquele ano implorando para que não chamassem a polícia. Mesmo assim, Jennifer entrou no Departamento de Polícia de San Jose em junho de 2002 e contou sua história ao então detetive Jason Herr.

Após ouvir uma conversa telefônica entre Jennifer e Williams, onde ele confessou que o que havia feito foi “mau, psicótico, assustador,” Herr prendeu Williams na Flórida e o extraditou para a California. “Williams sabia que era inapropriado; os atos sexuais engajados não eram apropriados,” disse Herr. “Mas ele estava convencido de que não se tratava de estupro ou de uma situação forçada.” Por fim, sua opinião era de que “(o que importa) é o que iremos provar na justiça? No que o juri irá acreditar?”.

Em 2003, William declarou-se culpado pela violência sexual contra uma menor na Corte Superior de Santa Clara. Ele foi sentenciado a um ano na prisão do condado e cinco anos de liberdade condicional. De acordo com o registro de ofensas sexuais, ele mora em Lake County, California. (Williams não respondeu a nenhuma carta nossa solicitando comentários, nem seu advogado respondeu aos nossos e-mails).

Gorman e Jennifer casaram-se em maio de 2003. Após pesquisarem diversos casos contra a Scientology por vários meses, eles finalmente decidiram processar civilmente a igreja. Foi assim que Gorman tornou-se alvo da política “Fair Game” da igreja. Uma ordem de 1967 emitida pelo próprio Hubbard diz que um SP pode ser “enganado, processado, mentido para ou destruido.” A igreja diz que a política foi cancelada décadas atrás, mas os críticos dizem poder provar muitos exemplos que ocorrem ainda nos dias de hoje.

De acordo com queixas na polícia publicadas online por Gorman, seu pai recebeu ameaças por telefone: “SPs não vivem muito! Seu filho e a esposa dele Jennifer irão morrer em breve!” A mãe de Gorman foi seguida por 45 minutos. Após perder o controle do carro no caminho para o escritório de seu advogado, um mecânico examinou seu veículo e constatou que todas as seis porcas que conectam o eixo esquerdo para a transmissão haviam desaparecido, de forma claramente proposital. Funcionários do Juizado municipal bateram à porta dos Gormans após uma denúncia anônima de que o pai de Gorman abusava sexualmente da irmã de Tommy, Christle. Além da coincidência da ocasião, Gorman não tem outras provas de que a Scientology está envolvida. Quiros nega o envolvimento da igreja. A respeito da sabotagem do veículo, Quiros diz que é mais provável que o próprio Gorman tenha feito aquilo.

Quiros visitou a casa dos Gormans, perto de Lake Merced, e a academia de Karate da irmã de Tommy, para pedir para convencer Gorman a tomar medicamento e não processar a organização. Gorman diz que certo momento sua família e até mesmo sua esposa Jennifer tentaram convencê-lo a parar, devido a todo aquele assédio, mas isso tornou-o ainda mais determinado: “nós caímos dentro de uma lata de merda, e agora temos que nos rastejar para sair,” diz ele. “Eu decidi que teria que parar de ser covarde.”

Quando Greene aceitou defender o caso, Jennifer não quis mais ficar sozinha e raramente saía de casa. Ela e Tommy alegam que não faziam mais sexo. Greene diz que ela não era capaz de completar uma ou duas frases a respeito do que aconteceu com ela sem chorar ou ficar com ânsia de vômito – e estamos falando de uma mulher que era capaz de contar sua história em um palanque.” Ela tornou-se um filhotinho assustado”, diz o advogado.

Então Greene contou a Jennifer que ela teria de superar o terror para continuar no caso, e elaboraram um plano onde ela pudesse ficar sozinha do lado de fora da casa, que começou com um minuto até chegar a vinte minutos. Enquanto ficava do lado de fora da casa, Jennifer rascunhava em um notebook, “tenho medo de que alguém passe de carro e atire em minha cabeça. Quando digo alguém, quero dizer alguém da Scientology.”

Finalmente, em uma sessão de meditação, Jennifer contou sua versão da história. Ela estava chorando porém continuava concentrada. “Eu sabia que ela era capaz,” diz Gorman. “Quando você mostra a eles que você não tem medo, é aí que a Scientology fica com medo.”

Os advogados da igreja classificaram o processo como “extorsão” e disseram que os executivos não tinham conhecimento do relacionamento. Mas Quiros diz que a igreja tivera que considerar os honorários legais e a desastrosa publicidade que as alegações de Jennifer causariam se chegasse até a corte: “O resultado seria intolerável”.

Os Gorman não podem informar o montante que receberam no acordo feito em 2005, mas Lawrence Wollersheim, um ex-scientologist que recebeu U$ 8.7 milhões de dólares da igreja em 2002, por “aflição de sofrimento emocional”, diz saber que o montante foi muito alto.

Aos 24 anos, Jennifer diz estar aliviada que o processo acabou. “Em um certo grau, eu fiz alguma coisa, e me sinto feliz com isso”. Ela ainda tem dificuldades para falar do passado, por isso Gorman encarrega-se de falar em seu lugar, com a técnica de olho no olho usado por recrutadores militares. Sua história nunca acaba, e e desde o acordo ele conta ela para quem quiser ouvir. Ele criou uma conta usando uma foto da esposa no site anti-Scientology http://www.lemarnet.com. Ele tornou-se amigo de outro ex-scientologists espalhados pelo país, e foi até Los Angeles para participar de diversos protestos. Geralmente cerca de 20 críticos se reuniam para tais ocasiões, e Gorman diz que os mais medrosos desapareceram. Nos protestos de San Francisco, raramente alguém o apoiava. Finalmente, em fevereiro, ele foi informado por outros críticos que um grupo autodenominado Anonymous organizou na internet um protesto em Los Angeles. Ele foi até lá, de câmera na mão.

Veja reportagens e vídeos sobre a seita da Scientology e sua armadilha Dianética (Dianetics) clicando aqui.

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